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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Fabuloso Destino de Túlio Morais


Em 22 de dezembro de 1987, as vinte e uma horas, trinta minutos e treze segundos, um beija-flor, capaz de bater as 80 vezes por segundo, pousa em um jardim na Rua Capitão Ernesto em Crucilândia.
No mesmo segundo, em um restaurante perto dali, o vento esgueirou-se como que por magia sob uma toalha de mesa, fazendo com que os copos dançassem sem que ninguém percebesse...
Neste mesmo segundo nascia Túlio Jônatas de Morais Cunha.
O pai de Túlio,Luis Carlos (Lábios contraídos , sinal de um homem sonhador e de bom coração) um garoto ainda, com ambições e sonhos, não teve o privilégio e o direito de passar um tempo com sua nova família. Então saiu em busca de seus ideais bem longe dali.
Luis Carlos não gosta de papo furado, não gosta de brincadeiras bobas, não gosta quando o Atlético perde não gosta quando seu restaurante fica cheio e todos o chamam ao mesmo tempo.
Luis Carlos gosta de futebol, gosta de comida caseira, gosta de bicicleta, gosta de observar o movimento na rua.
A mãe de Túlio, Mara Lúcia(olhos brilhantes e feições suaves, sinal de caráter honesto e prestativo) após o ocorrido, ainda garota, saiu a luta por empregos, formada em magistério, acabou por trabalhar no setor público de saúde, sempre foi de natureza mal humorada.
Mara Lúcia não gosta que seja contrariada, não gosta que a desminta na frente dos outros, não gosta de fofoca, não gosta que a acordem.
Mara Lúcia gosta de sorvete de flocos com calda de chocolate, gosta de sair com as amigas, gosta de dançar, gosta de escrever na agenda.
Túlio tem seis anos, e como toda criança, gostaria de ter seu pai por perto, mas só recebia sua ligação algumas vezes e recebia um presente no aniversário e Natal.
Por causa do pouco contato, Túlio acaba se retraído do mundo, se tornando uma criança tímida e não quer ir a escola, mas acaba indo.
Dificilmente faz amizades.
Distraído do mundo lá fora, e do pouco contato com outras crianças, Túlio entra no mundo que inventou.
O único amigo de Túlio, era seu cachorro, chama-se Figueiredo.
Infelizmente, o ambiente que vivia era frenético, e o animal acabou morrendo de infarto.
Para consolar Túlio, sua mãe lhe deu uma caixa de lápis de cor, onde ele desenha e registra tudo o que se passa em sua cabeça.
Um dia acontece a tragédia, aos treze anos, Túlio estava em sua casa com o seu passatempo preferido, assistindo TV
Túlio pediu para que sua mãe adoentada voltasse logo para casa. A resposta divina veio em três minutos.
O carro que parou à porta não era trazendo sua mãe, mas a sua tia trazendo a noticia, de que Mara Lúcia havia morrido.
Após a morte da mãe, Túlio passa a viver com seus tios.
O afeto existente, passa a ser fechado e reduzido a pouco.
Dias, meses e anos se passam...
O mundo parece tão morto, que Túlio prefere viver em suas ilusões até a idade de partir.
Sete anos depois, Túlio é estudante de Publicidade e propaganda na Puc Minas.
Não mora mais em Crucilândia com seus tios, mas em Belo Horizonte, em um pensionato próximo a sua faculdade.
Túlio não gosta de roupas justas e furadas, não gosta de ir ao banheiro público, não gosta de carnes, não gosta de arrumar o quarto.
Túlio gosta de cinema, música e teatro, gosta de dançar, gosta de tomar capuccino à tarde, gosta de moleton, gosta de coca cola gelada e gosta de fotografar.
Além de criar seus pequenos prazeres como morder os lábios, levantar a sobrancelha, colocar a meia para ir dormir, e tira-la cinco minutos depois, fazer tic tac com a caneta e estalar os dedos.
Diverte-se com suas ilusões e criações como ligar para os outros mudando sua voz, inventando nomes estranhos para os amigos e pensando como gastaria seu dinheiro se ganhasse na mega sena.
Algo extraordinário estaria para acontecer com Túlio, mas ele ainda não sabe... somente está à espera...

9 comentários:

cleiton disse...

Nossa pro acaso cai na pagina do seu blog e acabei lendo o teu texto (O fabuloso Destino de Túlio Morais) Linda e triste ... me indetifique muito com a historia e não podia deixar de comenta ... Parabéns

Cleiton Conegundes

Túlio disse...

Obrigado Cleiton :)

Ratio X disse...

Um capricorniano natissimo...

Marco disse...

Tb cai por acaso no blog e li o texto do fabuloso destino de Tulio.

Bem escrito, muito rico nos detalhes e sacadas boas!

Mto bom mesmo!

marcosly

Anônimo disse...

Olá Túlio tb sou de crucilandia e fiquei apaixonada por suas fotos, daí resolvi pesquisar mais e acabei me deparando com este depoimento que me deixou emocionada... vi vc durante anos mas nunca imaginaos e o que se passa dentro de outra pessoa.

Abraços,

Gisele

Anônimo disse...

Olá Túlio tb sou de crucilandia e fiquei apaixonada por suas fotos, daí resolvi pesquisar mais e acabei me deparando com este depoimento que me deixou emocionada... vi vc durante anos mas nunca imaginaos e o que se passa dentro de outra pessoa.

Abraços,

Gisele

Marilda Penido disse...

Parabens lindo texto.


Anônimo disse...

Emocionada! Uma fotografia em palavras que desperta carinho e compreensão pelo fotografado. Parabéns aos dois fotógrafos: o que se arma de uma câmera e o que se arma da palavra, o que homenageia e o que é homenageado. Gratidão por existir gente assim!

Oneida Resende disse...

Emocionada! Uma fotografia em palavras que desperta carinho e compreensão pelo fotografado. Parabéns aos dois fotógrafos: o que se arma de uma câmera e o que se arma da palavra, o que homenageia e o que é homenageado. Gratidão por existir gente assim!